Que caminhos seguiremos no minuto seguinte, na hora seguinte, no dia ou ano seguinte? Difícil responder... Podemos imaginar que os passos são fruto do acaso ou de um destino pré-estabelecido. Ou nada disso! No caso do destino, alguém preparou, pois da infância não vislumbramos passos a perder de vista. É uma discussão infrutífera, na minha opinião, querer chegar a um consenso: temos um destino, já prontinho, ou traçamos nosso caminho com as escolhas, inicialmente não nossas, e suas consequências? Particularmente, fico com a última opção... Mas, calma, respeito a primeira... Mais que isso, respeito quem nela acredita. Talvez a grande inquietação humana não seja descobrir o caminho, mas compreender quem é o caminhante. Antes de qualquer destino, existe uma consciência que hesita, deseja, teme e escolhe. E toda escolha, por menor que pareça, modifica não apenas o rumo da viagem, mas também aquele que viaja. Caminhar é, sobretudo, transformar-se. Fernando Pessoa escreveu que ...
Talvez por isso Carlos Drummond de Andrade tenha escrito que “lutar com palavras é a luta mais vã”. Ele sabia que cada frase é uma pequena batalha. As palavras escapam, mudam de sentido, resistem. Às vezes passamos minutos — ou horas — tentando encontrar um único termo que pareça exatamente o que queríamos dizer. E, ainda assim, continuamos tentando. Porque há algo dentro de nós que insiste em sair. Pensamentos, memórias, pequenas observações da vida que ficam pedindo forma. Escrever acaba sendo uma tentativa meio desajeitada de organizar o mundo dentro da cabeça. O curioso é que, muitas vezes, escrever não nasce do domínio das palavras, mas da necessidade delas. Rubem Alves gostava de dizer que escrevia para entender o que pensava. Como se o pensamento fosse um novelo embaraçado e o texto fosse o jeito de ir puxando o fio com calma. Quem escreve conhece bem esse ritual: cortar frases, apagar ideias, recomeçar parágrafos inteiros. Há textos que parecem nascer leves, mas a m...
“Pois minha imaginação não tem estrada. Eu não gosto mesmo de estrada. Gosto de desvios e de desver.” (Manoel de Barros) Houve um tempo em que meus dias começavam com uma missão simples: levar o almoço de meu pai, agricultor arrendatário, até o lugar onde estivesse trabalhando. Eu tinha por volta de dez anos e a responsabilidade cabia inteira sobre meus ombros de menino. A marmita seguia firme em minhas mãos; o relógio, invisível, marcava a urgência de voltar antes das onze para tomar banho, almoçar e ir à escola. Chovesse ou fizesse sol, aquele percurso de alguns quilômetros era parte da vida, como se a infância também tivesse suas obrigações silenciosas. Para chegar ao Sítio do Joãozinho havia dois caminhos. Um era curto, reto e atravessava um pasto onde, muitas vezes, o gado me esperava como um desafio maior do que realmente era. O outro fazia um desvio pelo cafezal do senhor Pedro Redondo, homem cujo sobrenome sempre me despertou curiosidade. Entre o medo e a tranquili...
Que assim sejam todos os dias! Com céu azul ou cinza.
ResponderExcluirMaravilhoso
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