Quando as grandes árvores caem
Uma crônica sobre a partida de minha mãe A morte de uma mãe tem uma maneira muito particular de nos aproximar daquilo que somos. Não importa quantos anos tenhamos, quantas experiências a vida nos tenha proporcionado ou quantas vezes tenhamos acreditado que aprendemos a caminhar sozinhos. Há, na partida de uma mãe, algo que nos devolve à infância, àquele tempo em que o mundo parecia caber na segurança de seus braços. Quando ela parte, não perdemos apenas alguém que amamos; perdemos também uma referência silenciosa de nossa própria existência. E, de repente, percebemos que uma parte de nossa história acaba de se transformar em memória. Imagino a vida como o voo de um passarinho que, um dia, deixa o ninho para descobrir o mundo. Atravessa os anos enfrentando ventos favoráveis e tempestades, constrói seus caminhos, estabelece vínculos e espalha suas sementes. Assim também é a existência de uma mãe: uma longa travessia em que tantas vezes o próprio desejo fica em segundo plano p...