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Quando...

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... desço as escadas, às vezes escorregadias, Que me levam às profundezas do inconsciente, Buscando encontrar minha alma repleta Das alegrias e bons momentos que amealhei, Encontro-os sempre bem iluminados, Como quadros em destaque n'alguma parede! As tristezas... Escondo-as no escuro, se posso! ... sento na areia úmida frente ao mar, azul, Pouco iluminado pelo amanhecer incompleto, E um riso bobo se forma nos lábios cerrados, Vem-me um despertar consciente da natureza, Maestra de todas as vidas e todos os mundos, Que me posiciona insignificante se estou só, Mas realmente completo se estou junto! ... miro demoradamente estrelas no céu, E percebo os diferentes brilhos entre elas, Mostrando que no firmamento há infinitos Que nem ao menos ouso imaginar, Faço-me perguntas sem respostas, loucas, E entendo a dimensão exata do que sou: Não sou nada além de meus pensamentos! ... me vejo, num sonho, junto aos que amo, Que na verdade amei desde e para sempre, Pois o que amamos é ...
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O passar dos anos não é um fenômeno barulhento. Ele acontece em silêncio, como quem ajeita a casa sem querer acordar ninguém. Quando percebemos, já não somos os mesmos — mudaram os gestos, os sonhos, as urgências. Aquilo que antes parecia eterno se revelou breve, e o que era distante agora mora dentro de nós, como memória viva. Há uma certa melancolia inevitável nisso tudo. Como escreveu Drummond, “no meio do caminho tinha uma pedra”, e talvez o tempo seja essa pedra constante: ora obstáculo, ora marco. Ele nos interrompe, nos obriga a olhar para trás, mas também nos ensina a seguir, mesmo com o peso das lembranças. Graciliano Ramos, com sua secura honesta, parecia compreender bem essa travessia. Em suas palavras duras e precisas, a vida nunca foi enfeitada demais. O tempo, para ele, era quase um chão áspero: não havia como escapar, apenas aprender a pisar com mais firmeza, mesmo que os pés doessem. E então vem Fernando Pessoa, com sua multiplicidade inquieta, a nos lembrar...

Escrever

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Talvez por isso Carlos Drummond de Andrade tenha escrito que “lutar com palavras é a luta mais vã”. Ele sabia que cada frase é uma pequena batalha. As palavras escapam, mudam de sentido, resistem. Às vezes passamos minutos — ou horas — tentando encontrar um único termo que pareça exatamente o que queríamos dizer. E, ainda assim, continuamos tentando. Porque há algo dentro de nós que insiste em sair. Pensamentos, memórias, pequenas observações da vida que ficam pedindo forma. Escrever acaba sendo uma tentativa meio desajeitada de organizar o mundo dentro da cabeça. O curioso é que, muitas vezes, escrever não nasce do domínio das palavras, mas da necessidade delas. Rubem Alves gostava de dizer que escrevia para entender o que pensava. Como se o pensamento fosse um novelo embaraçado e o texto fosse o jeito de ir puxando o fio com calma. Quem escreve conhece bem esse ritual: cortar frases, apagar ideias, recomeçar parágrafos inteiros. Há textos que parecem nascer leves, mas a m...