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Mostrando postagens de julho, 2026

ESTRADAS E DESVIOS

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“Pois minha imaginação não tem estrada. Eu não gosto mesmo de estrada. Gosto de desvios e de desver.” (Manoel de Barros) Houve um tempo em que meus dias começavam com uma missão simples: levar o almoço de meu pai, agricultor arrendatário, até o lugar onde estivesse trabalhando. Eu tinha por volta de dez anos e a responsabilidade cabia inteira sobre meus ombros de menino. A marmita seguia firme em minhas mãos; o relógio, invisível, marcava a urgência de voltar antes das onze para tomar banho, almoçar e ir à escola. Chovesse ou fizesse sol, aquele percurso de alguns quilômetros era parte da vida, como se a infância também tivesse suas obrigações silenciosas. Para chegar ao Sítio do Joãozinho havia dois caminhos. Um era curto, reto e atravessava um pasto onde, muitas vezes, o gado me esperava como um desafio maior do que realmente era. O outro fazia um desvio pelo cafezal do senhor Pedro Redondo, homem cujo sobrenome sempre me despertou curiosidade. Entre o medo e a tranquili...

Caminhos

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Que caminhos seguiremos no minuto seguinte, na hora seguinte, no dia ou ano seguinte? Difícil responder... Podemos imaginar que os passos são fruto do acaso ou de um destino pré-estabelecido. Ou nada disso! No caso do destino, alguém preparou, pois da infância não vislumbramos passos a perder de vista. É uma discussão infrutífera, na minha opinião, querer chegar a um consenso: temos um destino, já prontinho, ou traçamos nosso caminho com as escolhas, inicialmente não nossas, e suas consequências? Particularmente, fico com a última opção... Mas, calma, respeito a primeira... Mais que isso, respeito quem nela acredita. Talvez a grande inquietação humana não seja descobrir o caminho, mas compreender quem é o caminhante. Antes de qualquer destino, existe uma consciência que hesita, deseja, teme e escolhe. E toda escolha, por menor que pareça, modifica não apenas o rumo da viagem, mas também aquele que viaja. Caminhar é, sobretudo, transformar-se. Fernando Pessoa escreveu que ...